"Primeira indignação foi quando eu li sobre o SOS Haiti ( edição 1062 do Folha de Notícias), a preocupação das dioceses do Brasil em arrecadar dinheiro para mandar ao Haiti, como se em nosso país não tivéssemos problemas.Eu não sou contra a ajuda, só acho que eles deveriam é cuidar do nosso povo primeiro. Se os haitianos têm necessidade é sabido, mas e os brasileiros como ficam? Aqui também temos falta de alimentação, de segurança, falta,principalmente, emprego. Daí alguém vai dizer: mas não vê que lá houve uma catástrofe?! Catástrofes também temos: enchentes todos os anos, quando não é a seca e os jovens se matando na Fronteira. Indignado estou, pois só falam em ajudar o Haiti, e nós aqui do Brasil quem vai ajudar? Eu tenho 54 anos, não tenho casa para morar, não tenho emprego, passo até fome- não tão nem aí. Eu não sou estrangeiro né? Não sou Haitiano, a minha catástrofe psicológica já dura 54 anos. Não me dão emprego porque dizem que sou velho. Se sou velho por que não me aposentam? Não me dão um teto para morar porque não tenho renda...
...Estou indignado porque moro em um barracão abandonado por não ter condições de pagar aluguel, pois estou na área industrial de Santa Terezinha de Itaipu – PR. Não tenho fogão, nem geladeira. Cozinho mandioca em um fogão improvisado. Perto do Horto Florestal de Santa Terezinha tem outra pessoa que vive em um barraquinho de lona improvisado. Quanto a isso ninguém vê né, pois nós não somos Haitianos.
Não estou com ciúme dos coitados dos Haitianos, eu estou é com vergonha de ser brasileiro, viver em um país onde não dão emprego a um homem com 54 anos porque dizem ser velho. Quero ir embora para Rondônia, mas não tenho dinheiro. Eu queria que esta carta chegasse ao bispo de nossa diocese e ao governo estadual e federal. Não sou viciado em nada, nunca fui preso, não tenho antecedentes criminais."
Aparecido Alves, STI, Paraná
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