Foz do Iguaçu de 2 até 8 setembro de 2010
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Heitor Cartunista

 
 
 
Edição: 1067
Júri Popular:


Dávila (a direita) com o advogado Montoro

A vítima, o ex-vereador Adilson Rabelo participou, amparado pela esposa e filha, na sessão do júri popular

Dia 2 de março de 2010, marcou mais uma etapa de um crime que se arrasta há sete anos, mas que ainda não foi devidamente concluído. A terça-feira movimentou o tribunal do júri da comarca de Foz do Iguaçu: oito horas mobilizaram promotoria, defesa, juiz, testemunhas, sete jurados, amigos e inimigos, curiosos e a imprensa iguaçuense até ser decretada, às 18h15min, a sentença do réu: 16 anos e quatro meses de prisão. Nesse emaranhado judicial, o acusado, o comerciante Sérgio Dávila, se mostrou apático e alegou inocência mesmo diante da delação premiada -benefício dado ao criminoso que aceite colaborar na investigação ou entrega de seus companheiros- ofertada pelo promotor Luis Marcelo Mafra Bernardes da Silva.

Na primeira fila da platéia, a vítima, o ex-presidente da Câmara de Vereadores de Foz do Iguaçu, Adilson Rabelo, se encontrava inerte sobre uma cadeira de rodas, após ter sido atingido – na distante manhã do dia 24 de fevereiro de 2003- por tiros de arma de fogo disparados por um homem que estava na garupa de uma motocicleta. Rabelo foi atingido no lado direito da cabeça, o que lhe tirou o direito de ir e vir.

Rabelo foi conduzido por sua esposa (Jane) e filha, que se mantiveram firmes e de mãos dadas durante a sessão do júri.

O enunciado do advogado e assistente de acusação do promotor Mafra, Oswaldo Loureiro de Mello Junior: "Sérgio Dávila será condenado" foi confirmado nesse 2 de março. Entretanto, o advogado de Dávila, Ademar Montoro, vai recorrer da sentença em segunda instância que, caso negado, ainda lhe permite apelar ao Superior Tribunal de Justiça. Assim, o ex-acusado e agora culpado por ter contratado os três pistoleiros que atentaram contra a vida de Rabelo está livre, pois Dávila vai recorrer em liberdade.

Outros condenados

O primeiro júri popular do Caso Rabelo ocorreu no dia 25 de maio de 2006 e culminou com a condenação de Ronaldo Adriano Ferreira da Silva ( 12 anos de prisão), Antônio Carlos dos Santos ( 10 anos de prisão) e Ronaldo Gaudêncio dos Reis ( 12 anos de prisão) – apesar da pena imposta a cada um, eles negaram a autoria do crime e atualmente estão em liberdade condicional.

As provas colhidas ao longo do processo apontam que Dávila teria sido o organizador da tentativa de homicídio. Entre as evidências aparecem várias ligações telefônicas, rastreadas pela promotoria. Outra denúncia que segue nos autos do processo e confirmada por Oswaldo Loureiro à reportagem do Folha de Notícias aponta que Dávila recebeu US$ 40 mil ( em 2003 o dólar valia algo em torno de R$ 3,18 o que daria um montante de R$ 140 mil) para ‘comandar’ a tentativa de assassinato frustrada, mas que conseguiu calar o político.

Apesar desse aparente alívio de que a ‘Justiça foi feita’, a família de Rabelo ainda acredita na elucidação completa do caso, confidenciou a esposa de Rabelo.

Para o advogado Loureiro: "Ele (Dávila) é o intermediário do crime. O mandante, ainda será denunciado", assegura. E isso pode se estender, caso o promotor decida pedir a reabertura do caso. E a pergunta que ainda fica é: Quem mandou matar Rabelo e por quê?

Tumulto

O clima no tribunal ficou carregado quando a filha de Dávila, que também foi testemunha de defesa, insinuou uma atitude tendenciosa do promotor Mafra quando ele se pronunciou aos jurados, antes dos mesmos se retirarem para a decisão final. Aos gritos, a moça chamou o promotor de ‘corrupto e mentiroso’. Rapidamente o juiz Nicola determinou aos policiais que faziam a segurança da sessão a retirada da mulher. Após o tumulto a sessão foi retomada.

Fotos: Maikyn Taylor

Fonte: Rossana Schmitz

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